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Coisas que me tiram do sério

Aqui vão poder ler desabafos, asneiras, e muita, muita opinião sobre coisas que me tiram do sério!

Coisas que me tiram do sério

Aqui vão poder ler desabafos, asneiras, e muita, muita opinião sobre coisas que me tiram do sério!

O insulto fácil, ou o extremar de opiniões.

Há dois dias escrevi um post sobre esta coisa da normalização da xenofobia. Acho que 2/3, para ser generosa, das pessoas que leram o que escrevi, não perceberam que não me posiciono nem à esquerda nem à direita nesta discussão. Faz-me espécie a facilidade com que se insultam as pessoas só porque são diferentes. Ponto.

Não estou a tentar ser politicamente correcta, nem a defender a ideologia a, b ou c. A frase "no meio é que está a virtude" para mim, não simboliza a virgindade de ninguém, mas sim a capacidade de ter equilíbrio e ponderação nos seus argumentos. Mas desde quando é que ter bom senso e ser-se uma pessoa equilibrada é uma coisa má? Porque tenho argumentos equilibrados e procuro ver todos os lados de uma questão sou politicamente correcta, burguesa ou de esquerda? 

Quem parte para o insulto, insinuando que sou um homem homossexual dentro do armário (essa por acaso até tem graça), ou dizendo que o meu nome faz lembrar sei lá o quê, só prova a sua ignorância. Quem acha que chamar doutor, engenheiro ou qualquer outro desses títulos académicos, como que a insultar e a apelar para que se desça do pedestal, é um insulto dirigido à minha pessoa, ainda mais se equivoca. 

Este meu espaço de opinião está aberto a comentários, porque prezo a liberdade de expressão e acho que toda a gente tem direito a largar a sua alarvidade. Está sujeito a que esse comentário não passe no crivo do mínimo intelecto aceitável. Como por exemplo, os que tentaram insultar-me. Sim, tentaram. Porque não conseguiram. É preciso conhecer-me muito bem para conseguirem esse efeito. E, como eu sou uma ilustre desconhecida, boa sorte com isso.

No entanto, tira-me do sério esta mania de tentarem vencer discussões com o insulto fácil. Como "ah és tão gordo que não sei o quê" e coisas assim. Isso é só estúpido. A falta de inteligência destes assaltos também me suga a vontade de viver. E ainda por cima, normalmente provêm de pessoas que se escondem atrás da capa do anonimato. Ao menos davam a cara, para nós aqui deste lado podermos responder à letra.

 

 

Tentar manter o fio à meada numa troca de argumentos.

Começamos bem encaminhados, com um raciocínio lógico, ponderado, coerente. Quando chega a vez de alguém contra-argumentar, acontece por vezes que esse alguém pega num argumento, tira-o do contexto em que se insere, e de repente, damos por nós a tentar desesperadamente voltar ao início da conversa, em que sabíamos com toda a convicção qual era a ideia que queríamos transmitir.

Não dá para trocar argumentos com gente irracional. Uma exposição de ideias, em primeiro lugar, não é uma troca. Mas quando se abre a essa troca, a intenção, a meu ver, será tentar encontrar um ponto em comum, ou no pior caso, concordar em discordar. Não ganha quem fica mais irritado ou quem causa mais irritação. Isso é só parvo. Ganhamos todos quando estamos dispostos a ouvir pontos de vista diferentes e a analisar situações de perspectivas que não nos passariam pela cabeça. 

Não escrevo para ganhar discussões. Escrevo para expôr ideias.

Todo este blog é dedicado a coisas que me irritam, que podem variar de merdices do dia-a-dia, como o raio das velhas aos berros nos autocarros, como a coisas de maior importância.

Desta vez fiquei verdadeiramente irritada com pessoas que decidiram comentar a infeliz resposta de André Ventura à proposta de Joacine. A xenofobia é um assunto sério. Não pode ser usado com a ligeireza com que foi usado pelo deputado, à laia de piada como resposta a uma proposta que pode ser adjectivada de muitas formas. Não pode. Ponto. 

Aquilo a que eu assisti hoje foi a concordância com "mandar a Joacine de volta" só porque aquilo que ela disse não foi a coisa mais inteligente. Parece que estamos chegados ao fim da era em que Portugal era um país relativamente pacífico em relação às questões sociais. Somos racistas, sim. Não devia ser surpresa. Mas a conversa, a piada racista está a sair do café e a entrar no comentário político e no Parlamento. Isto devia servir para abrir a pestana às pessoas. O Partido Nazi não venceu às eleições à primeira, e quando começou só contava com meia dúzia de gatos pingados. 

Erros ortográficos. Ninguém é perfeito, e estamos todos sujeitos a cometer uma calinada, a dar um pontapé na gramática, de vez em quando. Agora, erros por sistema, em que se nota claramente que as pessoas não sabem o que estão a escrever, sugam-me a vontade de viver. Já vi erros de toda a espécie - o famoso há sem h, á em vez de à (inclusivé em jornais e publicidade!!), fassa em vez de faça, enfim, uma infinidade de barbaridades - e raramente me consigo impedir de ficar com aquilo na cabeça e de insultar toda a gente. Nas redes sociais, comento e corrijo, não aguento. Sinto-me ofendida com erros ortográficos!

A falta de higiene do espirro. Nos tempos que correm, isto é coisa que não faz muito sentido, mas não faltam por aí pessoas que espirram para o ar, sem pôr um lenço, ou um bracinho à frente. Não cabe na cabeça de ninguém, novo ou velho (já presenciei ambos), não tapar a cascada de perdigotos e outras substâncias menos fluídas que saem da boca e mesmo do nariz na hora de soltar aquele espirro maquiavélico. Gente, eu não quero ficar doente à vossa conta. Façam o favor de tapar a boca e o nariz. Com a mão também serve, ainda que não é a melhor ideia. A probabilidade de irem cumprimentar alguém logo a seguir com essa mesma mão é muito mais elevada do que a probabilidade de se cumprimentarem com o braço.

Estar na rua, parada ou a andar, e dar-me conta que há alguém perto de mim que cospe para o chão. Já é mau cuspir para o chão uma vez, mas agora parece que há uma moda, especialmente entre os mais jovens e fumadores, de cuspir para o chão de 3 em 3 segundos. Em primeiro lugar, esta gente deve andar toda desidratada, e devem andar com dores de cabeça e nem sabem porquê. Em segundo, se não gostam do sabor com que ficam na boca depois de chupar num cigarro, há duas opções, que eu aqui passo a explicar: 1) NÃO FUMEM! 2) Comprem pastilhas. Cordialmente, uma observadora enojada.

As mochilas nos transportes públicos. Todos nós, meros mortais que andamos nos transportes públicos, sofremos da maleita de ter de carregar com a casa às costas. Porque precisamos da lancheira com o almoço, porque andamos na escola e precisamos das tralhas todas, porque isto e porque aquilo. E todos nós sofremos com a síndrome da mochila alheia no nosso espaço pessoal. Seria menos grave se normalmente a dita mochila (e quem diz mochila diz qualquer outro tipo de mala) não invadisse o espaço que está localizado junto da minha cara. Agora é hábito levar com mochilas na cara. Não sei bem como é que se pode combater este flagelo, porque tenho perfeita noção que não é fácil tirar a mochila das costas, ou tirar a quantidade de malas dos ombros, e pousar no chão. Até lá, vou dando a minha cotevelada estratégica.

Há uma coisa que acontece quando Alguém atende o telefone. De repente, sem se perceber porquê, começa aos berros. Este Alguém, um pouco como Ninguém que nos é apresentado na Odisseia, levanta a voz como se estivesse a falar para a outra ponta da sala. Uma pessoa, nomeadamente esta que escreve, até podia pensar que Alguém não ouve bem. Mas não é o caso. Então, não consigo entender porque é que fala normalmente, poder-se-ia dizer que até baixinho, quando tem uma pessoa ali ao lado, e berra quando a outra pessoa está ao telefone. Pode estar a muitos quilómetros de distância, mas não é por se levantar a voz que do outro lado se vai ouvir melhor. A não ser que, do outro lado, sejam surdos. Aí, talvez explicasse. Mas, serão todos surdos? E se não forem, falta assim tão alto para outras pessoas também ouvirem? Mas ouvir só um lado da conversa não é interessante. Já agora, fazia como as pessoas novas, ditas jovens, fazem agora que é falar ao telefone em alta voz. Ao menos assim, a coisa é interessante, e não há espaço para preencher o vazio com coisas erradas.

O ambiente que se gera num escritório quando há alguém que tem inveja ou ciúmes de outra pessoa.

Sempre ouvi dizer que as mulheres são terríveis umas com as outras, e já o presenciei, mas este caso em particular é masculino.

É uma má-vontade, uma falsidade que me sobe pela espinha acima e me irrita profundamente.

Isto aliado ao espírito de funcionário público, faz com que a parte invejosa e ciumenta só queira estar no facebook a comentar notícias da treta, e que solte aquele suspiro profundo de cada vez que o telefone toca e trabalho se apresenta ao serviço.

E depois não há uma alminha que o chame à razão. Tipo, estás aqui há 50 anos, mas isso não te dá o direito de tratar mal as outras pessoas. Ponto. 

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