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Coisas que me tiram do sério

Aqui vão poder ler desabafos, asneiras, e muita, muita opinião sobre coisas que me tiram do sério!

Coisas que me tiram do sério

Aqui vão poder ler desabafos, asneiras, e muita, muita opinião sobre coisas que me tiram do sério!

Pois é, estamos de férias. E férias que são férias desobrigam de irritações.

Ainda assim, perseguem-me, elas, as irritações. Uma coisa que sempre me tirou do sério é aquela obrigação, porque fica bem, porque é de boa educação, porque sou fêmea, de dar dois beijinhos às pessoas, umas mais conhecidas do que outras. Escapo-me dessa obrigação sempre que posso e, numa situação de cumprimento, estico sempre a mão. No entanto, há aqueles teimosinhos, ou armados em espertos, ou então só porque eu cheiro bem, que chegam sempre a cara à frente para espetar dois beijos nestas bochechas. Às vezes nem sequer chegam a ser beijos, é só aquele encosto de cara meio estranho.

Ora eu não gosto, nem nunca gostei deste hábito. Que o diga a minha mãezinha, que estava sempre pronta (e ainda hoje o está) a dizer "Dá dois beijinhos, não sejas mal-educada!". Mas agora chegou a minha salvção. Coronavírus de seu nome, obriga ao distanciamento social, que é como quem diz, parem de dar beijos a pessoas, porque não sabem por onde elas andaram e andarem a invadir o espaço respiratório de cada um é só parvo. Portanto, hoje dei os últimos beijinhos obrigatórios. Obrigada coronavírus!

Esta história do Marega está a tirar-me do sério. Não tenho grandes dúvidas que houve "abuso" racista no estádio do Vitória de Guimarães. Parece-me bastante óvio que ele se defendeu e tomou a atitude mais que correcta. Nada neste mundo o pode obrigar a sentir-se atacado e não ter o direito de se defender. 

Aquilo que me está a incomodar profundamente é a reacção da sociedade. Não é a primeira vez, nos últimos, vá, 2 meses, que sabemos de um caso público em que alguém é vítima de alegações racistas e que se fala deste tema. Mas é a primeira vez que tal merece um comentário público do Presidente da República, do Primeiro-Ministro; é a primeira vez que na abertura de um primeiro jornal, o apresentador faz um comentário que é claramente a sua opinião pessoal em relação ao assunto.

A minha pergunta é: isto tudo só porque é um jogador de futebol? O que é que o futebol tem que faz isto às pessoas? Pergunto-me isto há anos. Como é que é possível que um jogador de futebol, que é pago mais do que o suficiente para alimentar um país inteiro em África sabe-se lá durante quanto tempo, consegue ter esta reacção nas pessoas? Como é que é possível que se pague tanto dinheiro a seja quem for para jogar à bola?

Na sua generalidade, ninguém reage a qualquer outro assunto da mesma forma. O futebol traz ao de cima o bicho que há nas pessoas. A minha profunda irritação e o meu desconforto com toda esta situação só se atenua com a esperança que, da mesma forma que as pessoas se levantam para chamar ao Marega "grande homem", e que teve "enorme coragem" (não estou a desvalorizar, só estou a observar), se levantem também para tomar medidas contra o real racismo que se mostra mais e mais a cada dia que passa, e que se trave esta onda idiota de xenofobia, de propaganda de direita.

 

Há uma coisa que me tem vindo a incomodar progressivamente. Tenho tentado chegar à origem de tal incómodo, perceber o que é que realmente me incomoda. O que é que separa as pessoas que vão atrás do populismo e de soluções antagónicas, das pessoas que procuram a moderação, o equilíbrio e o consenso? Acho que cheguei a uma conclusão.

O facilitismo na educação irrita-me profundamente. Posso estar a ser muito simplista, mas lembro-me de quando comecei a perceber que as crianças passavam de ano para fazer subir estatísticas do ensino em Portugal. Já não importava tanto que as crianças aprendessem, mas que passassem rapidamente de ano para serem o problema de outros professores.

As crianças que não aprendem coisas básicas, como ciência, a escrever a língua materna, até mesmo uma língua estrangeira, os fundamentos das coisas, são adultos ignorantes que acham que a sua opinião pode contradizer séculos de descobertas e avanços científicos, adultos que acham que as vacinas causam autismo!

Sou cada vez mais da opinião que o sistema de ensino básico deveria ser reformulado para ensinar às crianças pensamento crítico, como é a que a política funciona, ensinar-lhes ferramentas para que saibam decidir informadamente.

Cansa tanto ter de ler argumentos idiotas. Por exemplo, os "flat-earthers", ou as pessoas que acreditam que a Terra é plana. Começo também a perceber que não podemos deixas estas pessoas falar sem haver contraditório. Alguém tem de lhes prejudicar a lógica do argumento fácil. Nem que para isso seja necessário descer ao mesmo nível.

 

A necessidade de auto-censura.

Esta coisa de ter um blog é muito bonito e tal, e melhor ainda é ter as pessoas reconhecerem o nosso nome e a elogiarem o que escrevemos.

No entanto, esta é uma espada de dois gumes. Porque as pessoas sabem o nosso nome, não podemos dizer o que nos dá na real gana, porque eventualmente vamos ofender alguém que nos é mais, ou menos, próximo. 

O meu intuito, quando comecei este blog, era precisamente falar de situações que me irritam profundamente, e ditas situações podem, ou não, incluir pessoas da minha intimidade. Ou posso simplesmente estar tão irritada que não me lembro de fazer a ressalva "Ah, mas a estas situações com estas características não estão incluídas no pacote da irritação." 

Também já senti a necessidade de auto-censura, provocada pelo desejo de agradar a quem me lê. Escrevo para tirar estas coisas do meu sistema, e dar espaço a outras coisas, mas também para partilhar, para que outras pessoas possam ler, comentar, e claro, gostar do que lêem. No entanto, vai sempre haver quem não gosta, quem acha que me estou a expôr, que devia focar-me em coisas polémicas para atrair destaques e visualidade.

Não é isso que eu quero. Quero dizer o que me apetece. Mas a auto-censura ainda é forte deste lado. Façamos votos para que se desvaneça, ou para que se torne mais inteligente.

A incompetência no seu geral, mas no particular a da costureira que trata dos pequenos arranjos da minha roupa, nomeadamente calças.

Se há coisa que mais me tira do sério e que mais cabelos brancos me provoca é a incompetência das pessoas, ou seja, a incapacidade de realizar uma tarefa com um mínimo de preocupação se essa tarefa vai resolver o problema para o qual pretendia ser a solução.

Ora façamos um exercício de suposição. Compramos umas calças de ganga, e como temos 1,50m (nunca há calças para gente minorca), precisamos de mandar fazer a bainha. Mandamos para a costureira a que a família recorre há tanto tempo que ninguém se lembra quando é que começaram a ir lá. É uma pessoa de confiança, que não cobra muito dinheiro, por isso tudo bem. Até aqui, maravilha! O problema coloca-se quando dita costureira (ou costureiras) não faz o seu trabalho em condições.

Ora continuemos com a nossa suposição. Mandamos umas calças marcadas para fazer a bainha. E as calças até têm um pormenor engraçado: as costuras todas, incluido as da bainha são brancas. Quando ditas calças voltam à procedência, ou seja, para quem as comprou poder vesti-las, a bainha vem com a cor amarelo, laranja, uma linha de uma cor deste género. Foi a primeira vez na vida que fiquei piursa com incompetência de costureiras, porque normalmente não sou dada a estes detalhes. Mas este era um detalhe que me tinha feito comprar as calças. Não reclamei. Afinal são só umas calças com uma bainha que destoa. 

Segundo episódio desta saga, que na verdade engloba várias versões da mesma coisa: todas as bainhas voltam mais curtas do que tinham sido originalmente marcadas.

Episódio número 3: Umas calças rasgadas numa das pernas vai para ser remendada. Pormenor: a outra perna estava mesmo a ameaçar rasgar e dita costureira não remendou. Resultado: rasgou da vez a seguir, voltaram para remendar e paguei de novo o serviço.

E estamos chegados ao episódio mais recente: calças novas, marcadas para bainha, desta vez com um bocadinho de folga já a contar com o corte a mais que normalmente leva. Resultado: vieram tão compridas que vão ter de voltar para cortar mais um bom pedaço, que por acaso há-de ser igual ao que foi cortado da primeira vez. 

Não tenho grande pachorra para isto. Ainda por cima, vou pagar de novo o serviço. Já esteve mais longe o dia em que mudo de costureira.

Pessoas que pronunciam de forma errada palavras.

Podem ser palavras portuguesas, inglesas, ou de outra língua qualquer. Se eu falar a língua que a(s) outra(s) pessoa(s) está(ão) a utilizar para transmitir qualquer mensagem, e pronunciar mal uma palavra, o meu cérebro fica com um Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Repito para mim a própria dita palavra até que me esqueço do que a(s) outra(s) pessoa(s) disse(ram). É claro que enquanto isto acontece, não ouvi nada do que foi dito entretanto e não é raro perder o fio à meada da conversa. Quando finalmente retomo o estado normal, em que estou a prestar atenção, volto a ouvir uma palavra mal pronunciada.

Não sei se as gentes desse mundo têm noção do distúrbio que causam por pronunciar mal palavras. 

É claro que, se tiver alguma confiança com que diz mal as palavras, corrijo. As vezes que forem necessárias. E aí, a causa de irritação sou eu. Epá, temos pena. Aprendam a dizer as coisas bem, de uma vez por todas.

 

Pessoas que têm tiques nervosos sonoros. 

Uma coisa é estar a falar com alguém que tem um toque nervoso como pestanejar, ou mexer no cabelo, ou ainda brincar com canetas, só para citar alguns exemplos. Se isto nos incomoda, basta não olhar para a pessoa e o incómodo desaparece. É claro que se estivermos a falar com alguém e estivermos de costas voltadas não é muito simpático. Mas comparemos com um toque nervoso sonoro.

Aí complica. Como é que não ouvimos alguém que está constantemente a fazer um barulhinho qualquer, como fazer estalinhos com a língua, ou fazer sons respiratórios estranhos? E de preferência, sem ofender susceptibilidades, porque a pessoa não tem culpa nenhuma do tique que tem. A minha resposta é: não dá. E, por conseguinte, acabo a hora de almoço sempre capaz de dar um murro em alguma coisa. 

Pessoas que andam aos ziguezagues na rua.

Acontece com demasiada frequência eu ir a andar na rua, com alguma pressa (vicissitudes de ter um relógio), e ter pessoas que se atravessam à minha frente. Às vezes aparecem da direita, e eu até estava a ultrapassar pela esquerda, outras vezes aparecem pela esquerda e quase me pisam, outras ainda quase provocam um choque frontal. 

Também sou vítima do fenómeno do telemóvel na mão enquanto ando na rua, mas até me gabo de ter alguma noção do espaço à minha volta. Sei desviar-me das pessoas, consigo ir em linha recta e não me mandar para cima de alguém que vem lançado atrás de mim. 

As situações que mais me tiram do sério são quando estou a subir escadas e as pessoas à esquerda vão mais devagar do que as da direita. Isto é senso comum, ou não? Toda a gente sabe que quem quer andar devagar anda à direita. Ou se calhar ando enganada. 

Melhor ainda são aquelas pessoas que andam em direcção contrária a mim e que não fazem o mínimo movimento para se desviarem. Eu ainda me chego para um dos lados, porque colisões frontais não são comigo. Qualquer dia nem me mexo só para ver o que acontece. Vai na volta ainda me insultam. 

O famoso "click-bait" ou a arte de intrujar o cibernauta a clicar em qualquer coisa que não tem nada a ver com o que apregoa.

Na semana passada escrevi um pequeno post sobre a normalização dos comentários de potencial índole xenófoba, que mereceu um destaque pelo sapo. (Antes de me alongar, obrigada à equipa que escolheu o meu post naquele dia.)

Começou imediatamente a receber visualizações, que se traduziram em alguns comentários, uns mais inteligentes que outros. Quando dei por mim, já ia nas milhares de visualizações e eu não estava bem a entender a comoção em torno do meu singelo post. O sapo tem coisas interessantes para os bloguers, nomeadamente registar a página de onde nos chegam os visitantes. Foi quando me apercebi que a equipa do SAPO tinha posto o meu post na página principal, na secção de blogs e opinião. (De novo, muito obrigada.)

No entanto, e aqui começa a minha irritação, fizeram  click-bait ao meu post. O meu desabafo tinha a si colado uma foto do André Ventura. Pois, não se faz.

Já é mau o suficiente quando vejo o título de uma qualquer notícia e lhe clico e me apercebo que o conteúdo não tem nada a ver com dito título. É claro que acho menos graça ainda quando, de fora, é aplicado o mesmo princípio a algo que eu escrevi.

Não curti, SAPO. Mesmo.